TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo

TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo

Uma das doenças mentais mais comuns na população mundial é o TOC (transtorno obsessivo compulsivo), que atinge cerca de 2,5% dos 7,6 bilhões de seres humanos. Isto significa que 190 milhões de pessoas no mundo tem este transtorno. No Brasil, com uma população próxima aos 208 milhões, segundo estimativa do IBGE em 2017, 5,2 milhões de pessoas sofrem de TOC.

Apesar de ser uma doença mental tão comum, a população em geral desconhece sua existência e muitos não a percebem como uma patologia até que seus sintomas se tornem incapacitantes do ponto de vista social e laboral. Esquisitices e excentricidades são muitas vezes vistas como algo normal pela maioria das pessoas, o que na verdade são os sintomas deste transtorno.
Segundo a comunidade médica especializada em doenças mentais, o TOC pode levar até sete anos para ser diagnosticado, pois a desinformação e até mesmo o preconceito com relação à doença retardam a busca por um diagnóstico e seu tratamento. Ele está classificado entre os transtornos de ansiedade que possui uma base neurobiológica, à qual modifica o modo como crianças, adultos e idosos pensam; nele a pessoa apresenta pensamentos e comportamentos repetitivos que não tem sentido, são desagradáveis e trazem muito sofrimento para ela, mas são extremamente difíceis de serem evitados.

O TOC se caracteriza pelas obsessões (pensamentos) e compulsões (comportamentos) que ocupam uma quantidade considerável de tempo e energia do portador, o que poderá acarretar numa interferência familiar e social. Dificuldades para ter relacionamentos estáveis em geral e instabilidade no trabalho, por conta desses comportamentos, são algumas das dificuldades que os portadores enfrentam.

As obsessões se apresentam na forma de pensamentos, ideias e imagens de modo intrusivo, que é quando a pessoas não tem mais controle sobre estes pensamentos, ideias e imagens, pois sua mente foi invadida por eles. Como consequência, estes pensamentos geram uma sensação de culpa, de temor, de angústia ou de ansiedade. Na tentativa de se livrar destes pensamentos intrusivos, a pessoa desenvolve certos rituais, cerimônias e comportamentos compulsivos que o ajudam a aliviar esses sentimentos. Geralmente, estes comportamentos seguem regras rígidas que vão ajudar a aliviar esta ansiedade. O portador de TOC pode apresentar o que se chama de “pensamento mágico”, no qual ele acredita que fazendo certas “coisas” (rituais) evitará que estes pensamentos se concretizem na vida real. Eventos catastróficos, contaminação e desastres com pessoas da família são exemplos de pensamentos intrusivos, que ele tenta alterar com estes comportamentos compulsivos e rituais.

Por conta deste medo muito grande que o portador de TOC tem de causar uma catástrofe, de ser contaminado, de cometer falha, ele começa a evitar certas situações que possam gerar medo. Tal comportamento, chamado de “evitação”, começa a limitar cada vez mais o paciente. Ele deixa de frequentar locais os quais ia e de fazer certas coisas, por conta do medo.

Ao contrário do que se pensa a respeito dos portadores de TOC, não somente a pessoa que tem o comportamento metódico e busca constantemente a simetria na vida ou nas arrumações é um potencial candidato a desenvolver o transtorno. Há aqueles que também, opostamente a este padrão, tão bem apresentado no cinema como nos filmes “os vigaristas”, “melhor impossível”, mostram-se extremamente bagunceiros e desleixados com relação aos objetos. Existem os acumuladores, pessoas que acreditam que as embalagens de produtos um dia poderão ser úteis para alguma coisa e por isso as guardam ao ponto de entulhar espaços dentro de casa. Existem inúmeros outros exemplos e transtornos que estão nesse conjunto e que guardam uma íntima relação com a obsessão e a compulsão.

Independente do transtorno ou dos traços que a pessoa tenha desenvolvido, a busca pelo bem-estar físico e psíquico é possível e acessível. Como dito anteriormente, o grande prejuízo para o portador de TOC é a sucumbência da vida nas relações amorosas, no trabalho e no desenvolvimento pessoal que esta doença mental traz. O prejuízo ao longo de sete anos, que é a média que uma pessoa leva para procurar uma ajuda profissional, pode ser inestimável. Quanto antes as pessoas buscarem um auxílio, como a psicanálise e outras terapias, menor serão os efeitos.

Ainda há um preconceito muito forte com relação às doenças mentais, o que já se observa um pouco menor com outras doenças “ditas” físicas, contudo não se pode negligenciar o fato de que corpo e mente estão juntos, e que por algo se manifestar no corpo, não significa a inexistência na esfera psíquica.

O tratamento analítico é um caminho de autoconhecimento, de busca por respostas escondidas em sentimentos, lembranças, sonhos … É difícil e trabalhoso, pois exige perseverança e coragem. É cansativo como rolar uma enorme pedra morro acima, mas nada se compara à satisfação de ver essa mesma pedra descendo do outro lado.

Arnaldo Rodrigues
Psicanalista do IBCP

1 Comentário

  1. Joana Machado disse:

    Artigo Maravilhoso. Sem palavras para descrever o quanto me fez bem esta leitura. …

    Grata.

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